terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"O lobo" quer sair da toca

Tramita no congresso um projeto de lei que visa tornar profissão legal, a atividade de lobista, o projeto de lei é de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP).
Mas afinal de contas o que é o lobby (ou em português, lóbi), e em que acarreta a aprovação deste projeto? 

O lobismo é uma atividade já bastante antiga e realizada com bastante frequência, não apenas em nosso país como em vários outros, inclusive sendo uma atividade profissional reconhecida nos Estados Unidos da América, tendo sido exercida por nada mais nada menos que 12,4 mil indivíduos no ano de 2012. De origem inglesa, o termo lobby significa, antessala ou corredor, lobbyng no caso seria a atividade de relacionar-se com pessoas nesses ambientes, no caso da política, as antessalas e corredores parlamentares. De forma resumida, o lobby é a atividade de influenciar de forma ostensiva  as tomadas de decisão de um determinado grupo ou setor político, e se dá principalmente no setor legislativo (câmara dos deputados e senado federal) já que este é o setor que propõe e aprova ou não leis, medidas provisórias e emendas constitucionais. O que os lobistas fazem é tentar influenciar os membros destas casas a votarem em projetos que favoreçam seus clientes, ou que prejudiquem os concorrentes daqueles, para conseguir a adesão dos votantes, e fazer com que arregimentem mais votantes favoráveis á “causa”, lógico, o lobista em questão deve ser muito persuasivo, e que melhor maneira para fazer alguém aderir aos seus interesses que lhe pagando para tanto? De forma resumida, o lobby nada mais é do que a compra de votos na mais alta esfera da politica, estima-se que no ano de 2012 tenham sido movimentados cerca de 3,3 bilhões de dólares na atividade nos EUA.

Vivemos em um país em que a corrupção orbita nas mais variadas esferas sociais, não é de hoje que se fala isso, a aprovação desta medida agirá como uma legitimação das atividades ilícitas já praticadas em nosso país por aqueles que teoricamente nos representam, aprovar esta atividade é o mesmo que ao invés de punir o ladrão ou o homicida, transformar seus crimes em atividades legais, não sendo uma atividade trabalhista reconhecida esta prática já causa tremendo prejuízo ao povo brasileiro, uma vez que, são as grandes corporações financeiras, mercadológicas, industriais, latifundiárias e multinacionais quem financiam esta atividade em beneficio próprio. 

Apenas a nível de informação, nos Estados Unidos da América, apenas o setor farmacêutico, chegou a gastar 234 milhões em lobby no ano de 2012, não é de se admirar que sejam aprovadas pelo senado federal norte-americano, por exemplo medidas que que objetivam aumentar em quase 200% valores de medicamentos de uso continuo, gerando um absurdo lucro para as empresas e seus associados, ao passo que condenam milhões da habitantes do país a morte, a menos que estes tenham fundos suficientes para arcar com tal despesa (a respeito deste assunto em particular, assistam ao terceiro episódio da série documental da Netflix, na rota do dinheiro sujo).

A regulamentação do lobby é o primeiro passo para que a corrupção deixe de ser vista como crime, e assuma caráter legal, não será mais necessário marcar encontros noturnos em lugares reservados, a compra dos votos, o financiamento de campanhas, a troca de favores, tudo acontecerá à luz do dia, nos gabinetes oficiais, talvez até mesmo com direito a transmissões ao vivo quem sabe, a legalização de tal atividade medíocre, é a primeira pá de cal no sepultamento da democracia e da justiça brasileira.

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