Durante a infância,
desejamos com todas as forças a chegada de um momento, a vida adulta, em nossos
devaneios esse será o momento mais fantástico de nossas vidas, acreditamos
piamente que este momento significará, liberdade.
Quando crianças acreditamos
que na vida adulta poderemos fazer o que quisermos, dormir a hora que
quisermos, acordar a hora que quisermos, sair para onde quisermos, comer o que
bem entendermos, comprar aquilo que desejarmos, vestir o que der vontade, e
principalmente, não ter que dar mais satisfações a ninguém, é só ao chegar a
esta idade tão aguardada que percebemos o quanto iludidos estivemos durante
toda a infância e adolescência.
A vida adulta pode ser
resumida em três palavras: trabalho, responsabilidade e sacrifício. Comecemos pelo
trabalho, assim que atingimos a maior idade sofremos rapidamente a pressão para
conseguirmos um emprego, afinal de contas não somos mais crianças, temos que
começar a arcar com nossos gastos, o emprego é nossa inserção no mundo real,
pois até então, vivíamos a margem do mesmo, éramos apenas organismos vivos
transitando a esmo, ocupando espaço, mas ao entra no mundo do trabalho,
tornamo-nos dígitos e então adquirimos importância, somos agora uma razão
social, somos contribuintes, somos consumidores, somos o número de uma conta no
banco, somos a numeração de um cartão de crédito, somos geradores de riquezas,
somos endividados. O trabalho por sua vez acarreta em responsabilidades,
deveremos neste, cumprir horários, atingir metas, realizar tarefas repetitivas,
usar roupas bregas, quando não uniformes, e em hipótese alguma faltar, afinal
outras pessoas dependem de nosso desempenho, e haverá um chefe, um gerente, um
supervisor, um gestor, que estará sempre na nossa cola, exigindo de nós os
melhores resultados uma vez que o seu desempenho depende do nosso. Estes dois
pontos desembocam no terceiro, pois somos levados a sacrificar tudo aquilo que
gostaríamos de fazer em detrimento daquilo que temos que fazer, passamos a
“dormir com as galinhas” mesmo sem que ninguém nos mande para a cama, uma vez
que acordamos com “o cantar do galo“, deixamos de sair pois no dia seguinte
trabalhamos, não compramos mais o que queremos mas sim o que é necessário, e
principalmente, quando temos alguém conosco, deixamos de pensar em nós e
pensamos no outro. Assim é a vida adulta.
Pode parecer tudo muito
ruim, mas a verdade é que tornar-se adulto não esse terror que aparenta. A vida
adulta traz consigo diversos fatores não muito desejáveis, mas estes fatores
trazem consigo consequências ótimas que nem sempre percebemos. Primeiramente,
aprendemos a valorizar o que realmente importa, entendemos que dinheiro não
nasce em arvores e que suamos muito para ganha-lo e por isso não gastamos mais
com tanta rapidez quanto antes, desenvolvemos uma habilidade fantástica para
solucionar problemas a ponto de nos sentirmos como super-heróis, e é justamente
isso que nos tornamos para aqueles que estão a nossa volta, aqueles que contam
conosco nos momentos difíceis, e nos encaram com admiração, alegria e respeito
a cada desafio superado, a vida adulta nos ensina que cada momento é
importante, principalmente quando passado do lado das pessoas certas, e que
muitas vezes as pessoas certas são aquelas de quem durante a adolescência mais
tentamos nos afastar, mas principalmente, a vida adulta nos amadurece, nos
torna melhores, mais comedidos, reflexivos sobre nós mesmos e o mundo a nossa
volta, nos faz enxergar tudo de forma bem mais nítida que antes, em suma,
tornar-se adulto é difícil, mas quando finalmente conseguimos, é extremamente
compensador.
“adultescer” pode parecer um
bicho de sete cabeças, mas na verdade, é a melhor faze de nossa vida quando
aprendemos a vive-la, dificuldades vem sempre, mas aprendemos a vence-las, e
mesmo que não possamos sempre comprar o que queremos mas sim o que precisamos,
há sempre uma chance ou duas de comprar um novo jogo ou de comer uma maçã do
amor.
Gostei
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